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jueves, 20 de diciembre de 2012

Natal, um Natal outro - Pedro Casaldáliga


Natal 2011 - PA Brasil

 Natal 2012 e Ano Novo 2013.

Natal, um Natal outro:
para descobrir, acolher e anunciar
o Deus-conosco, hoje, aqui; segundo Mateus, capítulo 25.
Quem se entende com os pobres
pode-se entender com Deus.
Somente assim, feito criança, feito Deus vindo a menos,
poderíamos te encontrar, diariamente nosso,
entre Belém e a Páscoa,
Jesus, o de Nazaré.
Ano Novo, Tempo Novo, alternativo
na Política, na Economia, na Religião.
Contra os grandes projetos de morte,
o grande projeto da Vida.
Contra o consumismo depredador
entre as armas e agrotóxicos, consumamos indignação
com ternura e militância
Vivamos em Sumak Kawsay.
Terra e Paz para o Povo Palestino,
para o Povo Kaiowá Guarani,
para todos os povos indígenas e quilombolas,
para todas as migrações do mundo,
para o bilhão de gente humana
condenada à fome.
Apesar de todas as crises, se podemos balouçar a Deus
entre os braços de Maria e José,
não há motivo para ter medo.
Deus está ao alcance
da nossa Esperança.

Jesus, esteja conosco como força, dinamismo, energia, vigor, dia a dia, noite a noite, enquanto a vida perdurar.  

Pe. Jurandyr Azevedo Araujo, sdb

jueves, 29 de noviembre de 2012

Zumbi - Dia Nacional da Consciencia Negra no Brasil 2012




Vinte de novembro
Dom Zanoni Demettino Castro
Bispo diocesano de São Mateus-ES

Aos 20 de novembro do ano 1695, tombava Zumbi dos Palmares, o grande ícone da resistência do povo negro e da luta contra a escravidão.[1]

Nascido aproximadamente quarenta anos antes, em um dos mocambos do quilombo de Palmares, o pequeno menino foi raptado no mesmo ano do seu nascimento pelo chefe da tropa de Brás da Rocha Cardoso e levado para a freguesia do Porto Calvo, uma pequena vila do Recife, sendo entregue ao Padre Antônio Melo para que se encarregasse de sua criação. [2]

Poderíamos perguntar: por que o Padre Melo não teve uma postura mais contundente, contrária à escravidão? Por que a Igreja, árdua defensora dos indígenas, não assumiu, naquela época, com o mesmo zelo, a luta contra esse odioso crime? Podemos aceitar a premissa de que a escravidão não se constituía uma opção dentro do Brasil, mas um imperativo do sistema implantado no país com a colonização portuguesa?[3] Não podemos negar que a escravidão era uma realidade profundamente arraigada[4], poucas eram as vozes que se levantavam para combatê-la. Entretanto, algumas com caráter profético ecoam até hoje[5].

Qual teria sido o destino daquele menino franzino caso tivesse caído nas mãos de um mero senhor de escravos? Seria Zumbi o mesmo líder se sua inteligência e capacidade não fossem aguçadas? Podemos compartilhar da visão de que a formação que ele recebeu do pároco foi irrelevante para o desempenho de sua missão?

Neste momento especial em que o Santo Padre, o Papa Bento XVI nos chama a todos a refletirmos acerca da fé e dar razão da nossa esperança, oportunidade propícia para nos perguntar como viver o mandato evangelizador do Mestre Jesus, vale a pena sublinhar o papel fundamental do pároco de Porto Calvo, Padre Antonio Melo, na educação integral daquele menino batizado com o nome de Francisco. Além de educar essa criança na fé católica, iniciando-o no estudo das Sagradas Escrituras, ensinou-o a ler e escrever e ofereceu-lhe ainda noções de latim. [6]

Atrevo-me a afirmar que a atitude daquele pároco de aldeia, embora tímida para nossa sensibilidade contemporânea, teve uma grandiosa força profética. Ainda hoje, passados trezentos anos, tal atitude consegue ser um testemunho relevante para aqueles que acreditam que a reparação desse crime de lesa humanidade passa necessariamente por ações afirmativas. Alegro-me com tantas iniciativas exitosas nesta direção acontecendo neste nosso imenso Brasil.

Sobre os mantos de Nossa Senhora Aparecida os Bispos da América Latina e do Caribe, em sua V Conferência, constataram que a história dos afro-descendentes “tem sido atravessada por uma exclusão social, econômica, política e, sobretudo, racial, onde a identidade étnica é fator de subordinação social[7]. Embora vivamos num novo tempo, numa nova época em que não se admitem etnocentrismos, xenofobismos e preconceitos, os afro-descendentes “são discriminados na inserção do trabalho, na qualidade e conteúdo da formação escolar, nas relações cotidianas[8]. As conseqüências dos 300 anos de escravidão ainda não foram suficientemente reparadas. Os números estatísticos são nítidos: há “um processo de ocultamento sistemático dos valores, da história e da cultura dos afro-descendentes.[9] A formação superior, que deveria ser um direito garantido a todos, tem sido uma meta quase impossível de ser alcançada, dificultando ao negro o acesso às esferas de decisão na sociedade[10].

Padre Melo percebeu, desde cedo, que aquele menino não era somente um “neguinho” que deveria ser cuidado, mas alguém com grande capacidade de liderança e inteligência. Os afro-descendentes “emergem agora na sociedade”[11] “assumindo uma atitude mais protagonista” conscientes do poder que têm nas mãos e da possibilidade de contribuírem na construção de uma nova sociedade, justa e solidária[12].

O negro nunca aceitou pacificamente a escravidão. A resistência e a luta eram realidades bem presentes na sua vida. No século XVII, negros fugidos dos engenhos de açúcar fundaram na serra da Barriga o quilombo de Palmares, no atual território do Estado das Alagoas, terra da promissão e da liberdade, onde se viviam a partilha e a solidariedade, paraíso para todo negro escravizado.

Zumbi, interpelado pela situação em que viviam seus irmãos negros, compreendeu que o seu destino estava ligado à resistência e à luta contra a escravidão, e que não deveria limitar-se a viver tranqüilamente em Porto Calvo. Assim, em 1670, aos 15 anos de idade, não querendo mais ser escravo, foge e regressa a Palmares, tornando-se, aos poucos, um grande guerreiro;[13] conhece como ninguém o modo adequado de defender e resistir às tropas inimigas. Inteligente e astuto, quando o Governador da capitania de Pernambuco, Pedro de Almeida, propôs ao chefe Ganga Zumba um acordo[14], Zumbi discorda, não aceitando fazer concessões e não admitindo, pois, que uns negros ficassem libertos e outros continuassem escravos.

O quilombo dos Palmares[15] crescia a cada dia; para lá se dirigiam, além dos negros, indígenas e brancos pobres. No seu auge, chegou a ter mais de 1500 casas, contando com mais de 30 mil moradores. Transformou-se em estado autônomo, resistindo a ataques holandeses, luso-brasileiros, bandeirantes e paulistas. Foram mais de cem anos de resistência. A organização e a estrutura do quilombo amedrontaram, tanto aos senhores de engenho, quanto ao governo colonial. Não faltaram apoio financeiro e forte artilharia para que Domingos Jorge Velho e Vieira de Mello, com suas tropas, atacassem e vencessem o Macaco, principal mocambo de Palmares. Os quilombolas palmarinos, embora lutando bravamente, não conseguiram resistir: a maioria morreu lutando. Zumbi, embora ferido, conseguiu fugir. Durante quase dois anos, após a luta, continuou organizando escravos da região e combatendo senhores de engenho e as forças do governo colonial.

Contudo, em 20 de novembro de 1695, Zumbi, traído por um de seus principais comandantes — Antônio Soares, que trocou sua liberdade pela revelação do esconderijo — foi então capturado e torturado. Jorge Velho matou o rei dos Palmares e o decapitou. A cabeça do grande guerreiro ficou muito tempo na Praça do Carmo, em Recife.

A morte de Zumbi não pode ser interpretada como um fracasso e sim entendida como conseqüência lógica de sua vida comprometida e doada. Nesta data significativa, faço minhas as palavras de Dom Helder, o nosso grande profeta, no seu belíssimo MARIAMA: “Mariama, Nossa Senhora, Mãe de Cristo e Mãe dos homens, mãe dos homens de todas as raças, de todas as cores, de todos os cantos da terra. O importante, Mariama, é que a CNBB, toda a Igreja, embarque de cheio na causa dos negros”.


[1] Cf. MATOS, Henrique C. J. Nossa História. 500 anos de presença da Igreja Católica no Brasil. Tomo 2 Ed. Paulinas,  SP 2002, pp. 142-143.
[2] Ibidem 143.
[3] Cf. Hoornaert, E, ; Azzi, R; Grijp, K; Brod, B. História da Igreja no Brasil, Ed. Vozes, Petrópolis, 1977; p. 264.
[4] Para compreender melhor a escravidão no Brasil e o seu caráter funcional leia  Hoornaert, E, ; Azzi, R; Grijp, K; Brod, B. História da Igreja no Brasil, Ed. Vozes, Petrópolis, 1977; p. 258.
[5] O Pe. José Oscar Beozzo elenca algumas vozes discordantes ao sistema escravocrata no Brasil in Beozzo, O. org. História da Igreja no Brasil, tomo II/2.Ed. Vozes, Petrópolis, 1977; p. 265.
[6] Alguns historiadores afirmam que havia entre o Padre Melo e o líder de Palmares uma verdadeira amizade, cf MATOS, Henrique C. J. Nossa História. 500 anos de presença da Igreja Católica no Brasil. Tomo 2 Ed. Paulinas,  SP 2002; p. 143.
[7] Documento de Aparecida 96.
[8] Ibid.
[9] Ibid 402.
[10] Ibid 533.
[11] Ibid 91.
[12] Ibid 75.
[13] Cf. MATOS, Henrique C. J. Nossa História. 500 anos de presença da Igreja Católica no Brasil. Tomo 2 Ed. Paulinas, SP 2002; p. 143.
[14] A coroa portuguesa nunca permitia acordos entre africanos e colonizadores. A resposta do dia 7 de fevereiro de 1686 sobre o acordo com Palmares dizia o seguinte: “os africanos foragidos vivem em pecado mortal, são revoltosos contra a vontade de Deus, e não se faz paz com inimigos de Deus”. Beozzo, O. Org. História da Igreja no Brasil, tomo II/2.Ed. Vozes, Petrópolis, 1977; p. 256.
[15] Muito temido pelos colonizadores os quilombos significavam a esperança dos negros fugitivos e brancos pobres, uma alternativa de Brasil, um Brasil fraternal. Cf. MATOS, Henrique C. J. Nossa História. 500 anos de presença da Igreja Católica no Brasil. Tomo 2 Ed. Paulinas, SP 2002; p. 398.

viernes, 20 de julio de 2012

XII EPA Guayaquil 2012 - Mensagem final


    XII EPA CONTINENTAL
ECUADOR  
2012


MENSAGEM FINAL DEL XII ENCONTRO DA PASTORAL AFROAMERICANA
Guayaquil, Ecuador – julho 16 al 20 de 2012

Os/as 250 participantes do EPA, realizada no Equador, Guayaquil, mulheres, homens, sacerdotes, religiosos/as, seminaristas, diáconos, bispos e delegados da Juventude de 12 países ao longo da América Latina e Caribe, chamado pelo SEPAC e pela Pastoral Afro equatoriana, depois de refletir sobre a realidade dos povos africanos no continente, iluminados pela Palavra de Deus, acompanhado pela presença da Virgem Maria de Aparecida e alimentada pela Eucaristia, declaramos o seguinte:

Vamos continuar defendendo os valores autênticos culturais e espirituais dos povos afroamericanos e caribenhos, especialmente dos oprimidos, indefesos e marginalizados diante das forças avassaladoras das estruturas de pecado manifestadas na sociedade moderna (DA 532).

Continuaremos apoiando o diálogo entre a cultura negra e a fé cristã e suas lutas pela justiça social e incentivar a participação ativa dos afro-americanos e caribenhos nas ações pastorais de nossas Igrejas e do CELAM (DA 533).

Denunciamos as ameaças que o nosso povo afro sofre em todo o continente, em suas formas físicas, culturais e espirituais, nas formas de vida, nas identidades e na diversidade em seu território e em seus projetos de vida, como o resultado da globalização econômica e cultural que ameaça nossa própria existência como um povo distinto (DA 90). Nos comprometemos a trabalhar na globalização da solidariedade e pedir aos governos nacionais, à Organização dos Estados Americanos e das Nações Unidas que apoiem os nossos esforços.

Assumimos a Missão Permanente proposto pelo CELAM com fé, esperança e alegria, que nos permite viver o novo Pentecostés eclesial, social e cultural, com a força da participação dos jovens nos processos de desenvolvimento, com a resistência das mulheres, a ternura das crianças, o calor do povo e a riqueza de nossos idosos.

Este encontro continental é cheio de muitos desafios e de grandes esperanças, motivado pelas palavras do profeta afro Sofonias, que acredita que quando as pessoas são organizadas e guiado por Deus, então sim podemos comemorar a festa da vida:

Nosso Deus é com você, para você dançar e lançar gritos de alegria
como você faz no dia da festa
Sofonias 3, 15-17

Guayaquil, Equador, 20 de julho de 2012

OS/AS PARTICIPANTES


PDF Mensagem Final do XII Encontro da Pastoral Afroamericana.pdf
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Fuente: https://cenpah.wordpress.com/2012/07/27/combonianos-no-xii-epa-guayaquil/ 
(con colaboración de Cinthia Vilas)